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Situacionistas, Institucionalizados, com Certeza!
March 26th, 2006
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Normalmente são bem falantes, vestem-se bem (?) e arrogam-se, no alto de sua torre de marfim. Dizem, olhem para mim, como quem se guarda ao espelho, depois de barbear-se E de terem comido a mulher à socapa, enquanto esta ainda dorme, Aproveitando tal passividade e sujeição, a que as obrigam, Para assim atenderem à vontade do coto, insistente e ameaçador, Lembrando-lhes ainda, com pertinácia, de como seu estatuto, Enquanto classe média-alta, deve ser preservado sem quaisquer delongas ou esmorecimentos, Fruto de sua origem mui nobre, como animais procriadores de bons genes que são.
Um sentido de humor, que é tudo menos natural, transforma-lhes A rigidez do traço, que passa do pálido promíscuo ao deslavado, Numa questão de segundos e já sorriem do mesmo, inda a historieta, Mal acaba de nascer, se lhes vai nas cordas vocais (Antes acabaram de sair de seus chalés, passando por um qualquer Café, onde possam ficar bem visíveis, e já impregnaram o papel do Jornal, Da manhã, com os perfumes mais agressivos que é dado a conhecer ao olfacto Humano, desde que esta cada vez mais mísera e fútil condição teve a sua Existência, por ocasião do Big Ban).
Tal recolher de informação, de nada lhes serve porém, para se tornarem Em Jornalistas comedidos, com sua humildade, Imparciais com a dos outros e discípulos do bem esclarecer.
Agora acentuo eu: Mas que raio importa esclarecer ao Português, não temos nós aí, o profícuo Euro, Do Dois Mil E Quatro?!...
(Agressões!?... Na Final, Da Taça, De Portugal!?... Não!!!... Mas deu???… Na Televisão???... Ai sim!?... Houve um MORTO!?... À NAVALHADA!?... Não terá sido de uma qualquer EMOÇÃO, mais insistente? Por exemplo, não estaria a VITIMA, A escutar o Relato Radiofónico e como devesse ainda estar a fazer a sua Digestão, do Almoço, Tal foi-lhe FATAL?... Não?!... Não é nada, meu caro!, isso foi a daqueles energúmenos, os que entraram no relvado, do Alvalade XXI E limitaram-se, no Recinto Desportivo, a fazerem uma corrida de Vinte Metros e por aí nos ficámos. Sabe bem, o meu amigo, de como a Nossa S, I, C, está Atenta, ao pronto esclarecimento, de seus Telespectadores, já viu três, quatro dedos, de minha mão, A correrem, feito desalmados, tronco nu e em directo – essa do directo é outra –, a má imagem Que isso traz para o nosso querido país?!... Eu cá acho que, na minha pouca sabedoria, Fizeram muito bem, em mostrar-nos, tais cenas de horror).
– “BEMVINDO!!!..” (Na nossa Língua, extremamente bem cuidada e porque os Políticos pensam Sobretudo, em quem neles votou).
E então os direitos exclusivos, para nosso gáudio, Dum tal de Pinto Da Costa (miséria! o homem, lê poesia!!!), que nos ensina E lembra-nos, de como ser Português É baixar as calças passivamente, para nos roubar com mais facilidade (a inteligência! É aqui, em particular, que me sinto extremamente ofendido e lesado), não é isto Uma Prestação De Serviços Inestimável, da Tã Adorada Televisão, dos: Situacionistas, Institucionalizados…, com Certeza?...
Bem… aproveitando que aqui tenho comigo, esta novíssima Cannon, Ganha num dos últimos concursos, da S, I, C, nove horas, trinta minutos e como trouxe A minha Kawasaki, vou ali atrás daquele carro, que passou agora mesmo, com o Bibi, No banco de trás, do veículo, arriscando uma perseguição Hollywoodesca, Afim de enviar o rolo fotográfico, com as imagens da entrada e da saída, do dito Transporte rodoviário, da infame criatura, para a Informação das Vinte Horas, menos Um Minuto…
Mais adiante, afianço que relatarei as restantes peripécias, do nosso Portugal Cultural… Basta ver que temos um filho, de uma mui digníssima Poetisa Portuguesa, como Jornalista, De alguns Periódicos, sem Crédito algum, então… e porque não eu? Contento-me bem, com bem pouco, Migalha ou côdea…
Jorge Humberto (19/05/2004)
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DA BANALIDADE AO IMISCÍVEL
March 15th, 2006
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Olá Narciso, muito bom dia… Não meu bom amigo, a minha saída dos grupos de poesia,
Nada tem a ver com algum mal ostensivamente a mim dirigido, por parte de quem seja, embora o Mal seja uma questão de fundo, ante a falta de responsabilização de quem escreve, pois está-se a Cair numa banalização, em troco de um acomodatício ou do politicamente correcto, quando não Falando também de egos, constantemente em busca de alimento, e eu não quero elogio, é Agradável, mais se daí podemos partir para um aprofundar de qualquer coisa de produzível, extra Eu E o meu pequeno mundo, circunscrito aos meus prazeres momentâneos, também porque é um meio De chegarmos à nossa janela e cumprimentarmos os vizinhos e nossos amigos, mas isso não me Basta, a ninguém devia bastar, diga-se…
E já nem vou aqui falar de guerras verbais, entre uns e outros, num circulo vicioso, que mais não são De que uma forma encontrada, por parte de quem as produz e incita, para seguirem conseguindo Produzir alguma coisa de jeito, como numa Musa de virilhas esverdeadas, que só se alimentasse da Bílis do que é podre e pobre de espírito….
Bom… e depois temos os convencidos, mas desses não reza a história e as possíveis glórias Alcançadas, são fogo-fátuo, como numa ejaculação precoce, e vão de mãos dadas um e outro, Normalmente um com outra, a darem-se laivos de intelectualidades, adquiridas num qualquer Compendio Universitário… "Viver depressa, morrer jovem, deixando um belo cadáver atrás de Si"… Já dizia James Dean… A comparação não tem decalque, mas a essência é a mesma.
Que me diz a mim concursos, ou a quem lá fora é violentado… absolutamente nada!
Que me diz a mim Cirandas e outras que tais… nada!
Sendo porém esta uma forma de manter uma certa estabilidade emocional e pacifica, entre os que Assim escrevem, ou o que escreve.
Mas também, por outro lado, voltando ao requisito que acima comecei por considerar, quanto há de Cada um, posto em favor dos que precisam, nesta forma de fazer poesia, considerando para além Disso que as automatizações, retiram qualquer possível firmeza de traço?
Tendo por base um altruísmo benigno, e todo o bem querer e cuidado, dos que encontram nesta Forma, de fazer poesia, um meio de passar adiante as suas perspectivas, para algo de melhor, do Que até agora o Mundo nos vai oferecendo, não deixam as Cirandas de ser uma nova banalização e Desresponsabilização da poesia, logo dos seus Autores, para não dizer que se está romanceando a Realidade, tratando-a de maneira simplista, encontrado ainda aí, no «grupo», os Autores de Cirandas, a falsa sensação de estarem cumprindo um dever cívico, como num partido politico, onde Só ganha quem propagandeia o discurso, nunca a plebe.
Para combater temos a voz; para ganhar esse combate, temos a poesia «Individual»,onde cada Autor/Poeta é um mundo e uma divergência, e é no apanhado desse trabalho em Conjunto, eu aqui, Tu aí, que se vão achando as medicinas, com que tratar a maleita das nossas Sociedades…
Não é verdade que quem sofre de isolamento, à custa de umas quantas condições separatistas, Impostas por parte do estabelecido, como conduta a seguir, é também ele um ser a sós, com as suas Particularidades, e que a luta trava-a sozinho, por não ter quem lhe deite mão, ou dê-lhe voz? Então Como vou eu percebe-lo, se o julgo da mesma forma com que a sociedade o faz, olhando para a sua «humanidade», não para o seu «humano trato»?
Jorge Humberto
(13/01/2004)
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Carta para Victor
March 15th, 2006
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Gostava de contar-te, meu amigo, donde habito, vai para quatro meses, junto com a minha companheira. Uma partilha que, a todas as horas, de meu pequeno Mundo, sempre consegue emocionar este meu coração cansado e já convenientemente sofrido, como tu o bem sabes. Para ser mais sincero, poder-te-ia dizer que, apesar do nome pomposo de "Residencial São Vicente", em boa verdade estamos a falar de um conjunto de prédios, com vários apartamentos, defronte um do outro. Porém – repara na singeleza destas pequenas coisas –, quando aberta a janela de nosso quarto, minha alma regozija-se, ante tanta sinceridade e um muito bem cuidado jardim, fértil de mil aromas, aves canoras e bem-te-vis, chega até mim, como se de melodiosos arranjos musicais, aqui tratasse. Sim! E os meus sentidos, de tão apurados, extasiam completamente, como que aflorados à superfície da derme, e dou por mim fantasiando, como se ali fosse um qualquer e bem distinto lugarejo, quase infantil, de uma restrita mas não interditada Vila "Liliputiana", no seu corre-corre constante. As flores são sempre as mais bonitas e as cores, de vários matizes, logram a atenção dos vizinhos que passam, na azafama diária de seu dia-a-dia, a caminho do trabalho ou da escola, ou então chegando a casa cansados, fixando nelas os olhos, parecem enaltecer aos céus, a dádiva recebida.
Deixando de lado os prédios e corredores atapetados de verdura, eis que finalmente o paraíso é uma extensa realidade.
Árvores enormes e frondosas, dão-nos as sombras necessárias, que os três bancos de jardim não poderiam ter escolhido melhor, onde repousar seus corpos. Tudo isso são segundos que mastigo lentamente, enquanto desfruto do prazer da leitura, de um bom livro, ou – como agora – redigindo-te estas simples palavras.
Perto há uma casa de bonecas, suficientemente espaçosa para que lá caibam alguns dos petizes aventureiros, com uma porta, tipo "saloon", tem janelas com cortinas e até bancos, onde normalmente se discutem os problemas administrativos relacionados com a casa, de que te venho falando, Victor.
Não se pense contudo que os mais graúdos, foram esquecidos ou que houve aqui algum ostracismo, deste que te escreve... para esses tem o jogo de football ou volleyball, havendo ainda uma de duas piscinas, onde podem largar toda a adrenalina e deixar os moços em paz, na outra, de chão raso...
Foi inaugurado, dias atrás, um novo espaço, junto à piscina dos mais velhos precisamente, semelhante às termas romanas, um recinto em "L" levantado por grossas piras de madeira, onde assenta um telhado cru, da cor do barro. Dois fornos sustentam a gula dos compadres, que, sofrendo dos efeitos do álcool ou do calor (ou dos dois à mistura), soltam "carvalhos" e outros que tais, no correr das mesas, dispostas em ala.
Mas, meu amigo, tudo isto me fascina, o simples facto de estar a escrever-te esta carta, deixa-me na boca sensações que nunca tivera antes, e o mais belo ainda vem pela noite, com o murmurejar das densas árvores, as luzes românticas dos candeeiros, que há no jardim, de quando vou levar o lixo à rua em sacos individuais: orgânico de um lado, seco do outro, calção e chinelo pelo pé. Boa noite, meu caro.
Jorge Humberto 10/02/05
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O INDIVIDUO NA SOCIEDADE
March 11th, 2006
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(Ensaio ao entardecer)
A liberdade é tanto um direito adquirido, como devido a cada pessoa,
Como a omissão desta ou a sua apropriação pela força,
É um desequilíbrio emocional, que tem tudo a ver com o individuo,
Nunca com o conjunto de formas porque se rege uma sociedade,
Quer sejam elas pela partilha de ideias ou ideologias, ou simplesmente
Pelos afectos exacerbados ou egoístas, isso, e não outra coisa, é a desculpa mais ignóbil e cobarde
Para basearmos as nossas escolhas, ante o que será a opinião a formar pelos outros,
No que a cada um de nós disser respeito, ao que acabámos por decidir, assim como
É muito mais fácil conduzir um rebanho, que a um único personagem.
Temos assim que, tal como a liberdade é um direito nosso, também
Passa por reconhecermos que ela é, acima de tudo, uma obrigação:
A obrigação do uso que lhe queiramos dar.
De que têm medo as autoridades, quando o povo faz uso pleno dessa liberdade?
O de a expressarmos livremente, de forma conscienciosa, podendo ainda contrapor
Ao estabelecido, como conjunto, ou porque a tomam por um confronto pessoal, como àquele
Nosso vizinho, a quem invejássemos por incapacidade nossa?
Vejamos antes assim: um conjunto de pessoas, é um conjunto de liberdades próprias,
No respeito e pela obrigação de cada individuo, no emprego desse direito, a meio a tantos outros Também devidos.
Jorge Humberto
(27/12/2003)
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ESCUTAI-VOS
March 11th, 2006
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Divergências há as sempre, assim não fora e melhor seria um espelho,
Onde entretivéssemos a luva e a pelica, na masturbação diária, de egos sedentos,
De seu próprio sedentarismo.
Acontece porém, ao verificar-se a insistência, de discurso já feito, uma de duas
Coisas: ou não tem-se mais o que fazer e o discurso é mono e retórico, ou espera-se
Com isso, tirar desse nosso comportamento, excessivo e repetitivo, dividendos futuros,
Numa predisposição própria, do que age por antecipação.
Errar… errar é da condição humana – cair, levantar, experimentar, recusar ou
Aceitar, tendo como objectivo, a ser alcançado, só o melhor para si,
Com o que vai deparar-se, no decorrer de seu dia a dia,
Para com a sua vida, presente e futura, neste pedacinho,
De terra, água, ar e fogo, num sinal evidente, de inteligência e flexibilidade,
Que faz-nos dissemelhantes, ao chamado Irracional.
O mesmo com a humildade, ao preservar esses valores, a quem reconhece,
De si próprio, o inevitável condicionalismo.
Jorge Humberto
(21/07/2004)
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CRÓNICA DE UM BURGUÊS… que também era lunático
March 11th, 2006
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Olá, o meu nome, é Sete-e-Meio, mas as pessoas conhecem-me mais como o Seteiro, do Meridiano Setentrional, ali para os lados do Bairro da Picheleira, bairro típico de Lisboa.
Quem me conhecia muito bem aliás, eram os profissionais, da 12ª Esquadra, da P.S.P, acusavam-me eles de bombardeá-los, com as Azedas que, todas as manhãs, colhia e ruminava, junto ao Mercado, do supra acima citado.
E embora de tais infames calúnias, nunca viesse a livrar-me, mantenho e digo-vos, meus amigos, que sou e sempre estive inocente.
Não sei, se daí derivado, mas o facto é que tornei-me num homem revoltado e, fruto disso, enquanto ainda Estudante (privilégio só de alguns, à época), já eu deambulava por grupos estudantis, de
Azeda Amarela ao peito (com um pequeno punho cerrado, bordado numa das orlas), reivindicado por um Mundo melhor, dando voz aos que viviam amordaçados, por um corpo de polícia que, como já vos havia descrito, limitava-se a fazer acusações e a injuriar as pessoas, ao estas passarem pela esquadra, hirta Azeda, pela mão.
Foram anos difíceis, para todos nós, estes que vos relato, feitos de muita persistência e sacrifícios pessoais, mas foram igualmente anos de crescimento, enquanto homem e ser humano, onde a solidariedade, de uns para com os outros, era o que melhor definia, na altura, a luta então travada, contra os que nos queriam calados e subjugados.
E assim foi que, seguindo esta minha cruzada, planeando cada vez mais novas acções, contra os poderes Instituídos e arregimentado jovens – que, como eu, estavam prontos, a ir de porta em porta, levando a Azeda Palavra, símbolo de todo um povo massacrado –, numa noite certa de sobressalto, fui preso, pela então policia dos bons costumes, acérrimos inimigos, das Azedas em flor.
Diz-se da vida, porém, que ela sempre acaba por ser justa, que tal como tira também dá, bastando-nos, para isso, apenas estar atentos.
E posso confirmar a veracidade destas palavras, quando, julgando tudo perdido, nas comemorações, do meu primeiro aniversário, enquanto preso político, recebo na minha cela, a visita de antigos membros, da Azeda Amarela.
Hoje também eles, homens de família e pais de filhos, que não querem contudo esquecer, o seu papel de agentes, de uma nova mentalidade, nesta sociedade tão globalizada.
Traziam consigo, aquilo a que eu agora apelido de, «A Redescoberta da Icterícia», uma nova e eficaz arma, na luta contra a opressão e a censura, da liberdade de expressão, motivo pelo qual eu havia sido preso e de minha prisão, injusta e parcial.
Chamavam, à nova arma, «Personal Computer», que era basicamente uma caixa, com imensos botões, mas de um alcance tremendo.
Foram pois, noites e noites, de uma aprendizagem sistemática e devotada, a que confinei, a partir desse dia, a minha vida, na prisão, a fim de perceber todos os contornos e as imensas possibilidades, que essa maravilha da tecnologia, teria ainda para oferecer-me, num futuro não muito longe, de modo a ficar apetrechado, para assim poder bem servir, a meus propósitos, na luta contra as injustiças, deste Mundo.
Até tornar-me no profissional, experiente e experimentado, na arte do manuseamento, de computadores, que hoje reconheço em mim, com um aperfeiçoamento, mais na área dos subprodutos e afins, como é exemplo, os correios electrónicos, de onde sobressai o Outlook, entre outros.
Acresce dizer aqui, que os únicos tempos disponíveis, nesta minha tremenda empreitada, eram dedicados à minha outra paixão: a Marinha.
Não posso, por isso, esquecer, aos amigos, que, numa demonstração, de efectiva amizade, a cada nova visita, sempre faziam questão, de levar com eles, o último grito, em matéria de «Kits» desmontáveis, dos quais ainda guardo, a alguns «Galeões» Espanhóis e «Trirreme», Romanos, devidamente coloridos e ornados a preceito.
Ainda assim, passaram-se os anos, sem que deles apercebesse-me, e com eles os sonhos e as lutas, de outrora.
Hoje sou um homem, sem anseios nem porque lutar, salva-se porém, das muitas horas sem dormir
e de todo o esforço empregue, o conhecimento adquirido e tudo o que agora faz de mim, um dos mais experientes navegadores, da rede mundial, da Internet.
Já da Azeda Amarela, só eu restei, mais uns quantos «Kits» descartáveis, de barcos e de outros objectos náuticos – frustração de uma vida.
Mas… deixemo-nos disso. Para continuarem a saber de mim, nada de mais fácil: eu sou o Sete-e-Meio, o homem da Azeda Amarela, mestre em subprodutos tecnológicos, velho e de mau carácter, por via de uma vida aziaga e rude, com o que foram os meus sonhos de antigamente, em suma um ser vil, que hoje conheceis de andar a maltratar-vos, de Outlook em Outlook, inquinando-os com todo esse meu fel, de Azeda Amarela, em flor.
Jorge Humberto
(02/08/2004)
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Ainda sobre o caso Richthofen
March 11th, 2006
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Ainda sobre o caso Richthofen, que está magnificamente descrito no informativo do Akki Tem Arte –Revista Zap-, num texto assinado
E pontificado pelo profissionalismo, acuidade e conhecimento de causa efectivo, por essas duas grandes Mulheres que dão pelo nome de Elizabeth Misciasci e Luciane Makkário, autoras de: "Presídio de Mulheres", vem a propósito a seguinte questão:
Quiçá conscientes da segurança que lhes proporciona o à partida denominador comum, regente de Todas as sociedades, que se têm por tal prontuário, presas e quantas vezes omissas e pactuantes com
O estabelecido, tido por bem aceite, por nele se reverem (?) e por mais cómodo também, logo muito Mais susceptível de acção por reacção, quando é de suas próprias fraquezas o apelo e a visibilidade Destas, libertar-se dessa incomodidade é pois o ónus a reter e a inverter pelas pessoas, assumindo a Sua Faceta mais lúgubre, a do "populismo", que a tudo julga por manifesta falta de esclarecimento, opondo-se desde já, não há "aceitação" de alguma particularidade mas negando-a à partida, o que lhe permitisse Assim qualquer outro factor, possível de ser discorrido.
Mais do que um sentimento de repulsa ou de pudor, distintamente de foro pessoal, que tem a ver
Com variadíssimas questões, como sejam as de índole mais religiosa, ou por ensinamentos tidos, entre
O que é bem e mal, por exemplo, e aqui ficamos por isso, pela verdade de cada um, o "populismo" é a Forma mais básica e directa para extravasar medos e resgatar pecados, que de outra atitude a tomar Seria já considerar-se um excluído ou alguém suspeito da mínima credibilidade.
Se vivemos em sociedade não podemos cruzar braços e de repente, quando nos bate à porta alguma Tragédia
Triste, como é a do caso que aqui relato, acharmo-nos no direito de sermos nós os duplos acusadores,
O actual, que agora se arroga a directrizes de bom samaritano e o anterior, que de alguma maneira foi Passivo, na sua conduta a ter enquanto alguém que é parte e faz parte duma e dessa mesma sociedade, Dita evoluída, para isso existem as leis e é às constituições governamentais que cabe esse papel, então
Se há leis, pois que se cumpram e se faça justiça, e se estas não nos protegem, pois que lutemos e Reivindiquemos pelos nossos direitos, o que não podemos é continuar a pactuar com essa velha máxima De que "Entre marido e mulher não se põem a colher", ou ainda o ser-se "pai" ser já por si só garantia E sinónimo de que tudo está bem e vai na paz dos deuses, é que para se censurar ou aprovar alguma Coisa, apenas por isso, qualquer um de nós estará habilitado, com todas as agravantes de insucesso que
Tal possa trazer, agora sermos conscientes e activos e participantes num todo, saber dizer que sim ou Que não se necessário, mantendo nossas opiniões mas dando-as à discussão e ser flexível, isso sim Deveria ser para todos, que não é, infelizmente…
Jorge Humberto (01/11/03)
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TIPO ASSIM II
January 11th, 2006
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Nada me move de encontro a nada, exceptuando o arcaico estático e fundamentalista, que, de vistas curtas e temeroso, arroga-se a não reconhecer mais do que vá além de seu mundo, restrito e predisposto, na ideia de que algo, a existir, não se concebe para ser mas para manter-se. Acredito que falta, hoje em dia, um sentido pleno da Moral, do que é a Moral e de sua importância para o Homem, para o seu dia a dia, no contacto directo com os demais. De facto ela (Moral) nem precisaria de existir, como algo que devesse seguir-se, a fim de evitar a total anarquia entre os homens, se cada um de nós, soubesse esta verdade: “a liberdade de um acaba sempre onde a do outro começa”. Que temos nós hoje, neste nosso Mundo, se não uma mescla imensa de tribos, cada uma dizendo mal da outra, por as últimas não seguirem as suas ideias, o seu ideal, do que deve ser o bem viver e consequente felicidade, donde terá de sair forçosamente a inevitabilidade que as mantenha e à sua crença defensáveis? Como disse, nada me move de encontro a nada, excepto o que não medra, por acomodatício e parco alimento, fechado que está em vitral kantiano e nada pluralista, a modos que fosse como que um portador exclusivo de um qualquer gnoma, imune ao membro de outras espécies, possivelmente causadoras de danos irreparáveis, de seu coto incestuoso e fratricida. Do mesmo modo é aplicável, isto que digo, ao que tem medo de perder pé, tomando desde cedo por afronta tudo o que é traço diferente e ousado, deixando-o de sobreaviso e renitente, sempre que se lhe pede passo a dar. Eis aqui, o cacógrafo e o mal, instalados nas cercanias dos muitos quintais que estão proliferando por esse Mundo afora.
Jorge Humberto (21/07/2004)
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DESVIOS COMPORTAMENTAIS (ensaio)
January 8th, 2006
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Por mais que tente ser racional, entrar em um tema que possa levar a argumentar uma ideia, um pensamento, uma teoria que seja, decorrendo daí a hipótese de desvio, ao absurdo do dia a dia, da humanidade (como esta palavra me arrepia), ou simplesmente do meu mundanismo, por mais que tente entrar numa vulgaridade, compreensível e reconhecida pelo anátema, mais não faço que um propósito para, no reencontro da palavra, dizer-te do quanto te amo. Mas e a quem amo eu, se não à minha concordância? A questão nem está tanto aí, no ser-se branco ou preto, sim e não, mas no sabermos despojar o humano da sua humanidade, século após século reivindicada e imposta, por sinais e critérios exteriores ao próprio Homem. O conceito de humanidade, pressupõem logo à partida, que não há espaço para o «um», e o «global» funciona como repasto vivificante, quer para a não vontade, se não quando, na falta desta, para o histerismo comportamental, com o excesso a ser a pedra de toque, que despoletará em fundamentalismos, ou pior que isso, como no caso da mãe de todos os equívocos: a igreja católica, o cristianismo socializado e amestrado. No dia em que for eu, pleno de mim e, ao mesmo tempo, despido de conceitos estereotipados, sabendo dizer-me, sem muletas ou máscaras, ou invadir território doutrem, então aí sim, saberei comportar o outro, e essa será a única e compreensível humanidade, possível ao humano, aonde eu ainda não me incluo, e isso é sabido, confrangedoramente sabido.
Jorge Humberto (12/01/2004)
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Fogueira de vaidades
January 8th, 2006
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Fogueira de vaidades o poeta torna-se com o tempo numa coisa irrisória.
Jorge Humberto
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